sábado, 10 de abril de 2010

Toda mulher bonita tem dono

Por Wagner Vieira Cruz




Hoje, ao acessar o Orkut, deparar-me com uma comunidade com o título “toda mulher bonita tem dono”. O que é isto? Por que em pleno século XXI estamos com frases escravistas do século XVIII? Com que direito ou autoridade se escreve tamanha afronta a um ser tão sublime como as mulheres? Elas são dignas de toda consideração e respeito.


Estas palavras tocaram meu coração e não consegui ficar calado perante uma falta de respeito de tamanha magnitude. Entendo que esta comunidade ataca em cheio não só a constituição, a moral e a vida, mas também, a dignidade, ela tem tendência preconceituosa e racista.


Já que o titulo da comunidade é “toda mulher bonita tem dono” subentende-se assim que a mulher é uma escrava. Escravidão, na verdade, seria uma prática social que um ser humano sobrepõe a outro, certa autoridade de direito como se fosse uma propriedade.


Neste caso, a mulher, por ser bonita é uma propriedade? A beleza agora é critério para bem material? De posse? Certo que não. Por isso condeno esta comunidade. Deveríamos reivindicar sim, o direito de resposta contra seu(s) idealizador(es), por este ato falho. Que essas pessoas retratem-se, já que vivemos em um mundo de justiça e igualdade.


Práticas como esta delatam que deste os primórdios da civilização o homem não evoluiu cognitivamente. O homem moderno ainda tem os olhos fechados para cometer um gesto tão profano e leviano. Jamais concordarei que mulher nenhuma tenha dono, como se fossem objetos, iguais aos tempos em que “homens brancos” subtraiam pessoas felizes de seus lares, de seus familiares e trancafiavam-nos em senzalas fétidas como animais - Mesmos que tais homens fossem tratados como pessoas – Somente o fato de serem ceifados de suas vidas é um ato de desumanidade e crueldade.


No Brasil a Lei Áurea (1888) aboliu toda espécie de escravidão, mesmo assim muitos donos de engenhos recusaram-se a aceita-la e a escravidão passou a ser combatida pelos abolicionistas, sendo extinta de fato anos depois.


Para agravar o problema, infelizmente, existiam e ainda existem mulheres conformadas, que necessitam de dono, de um marido (senhor do lar) para viverem. Aceitam passivamente a submissão a ponto de participarem de comunidades depreciadoras de sua própria imagem, sentem-se bem quando seus companheiros agem como predadores e “marcam seu território” inibindo-as de toda e qualquer forma de crescimento. Quantas vezes não vimos maridos trancafiarem “suas esposas” sem deixa-las sair até para visitar seus familiares? Quem nunca viu homens proibirem suas “suas mulheres” de estudar e trabalhar fora, alegando que: “mulher minha devem servir apenas aos trabalhos domésticos”, como se fossem aias de “casa grande?” Elas ficam inertes, apenas aceitam a sua vida, caem no modismo que transformou o casamento em uma união patriarcal, uma vez que deveria ser recíproca e com laços afetivos de ambos.


Hoje, a Constituição Federal (1988) nos dá direitos de liberdade, nos permite tratamento igual para sexo, raça, e credo e tantos outros direitos coletivos e individuais, entretanto, o pensamento escravista, pelo que parece, persiste na mente dos insensatos.


As pessoas deveriam buscar conhecimentos históricos para assim crescerem espiritualmente, ela, a história, transforma pessoas, modificam mentes e direciona o homem para descobertas de novos ideais, mesmo assim, ainda existem os insensíveis, os conservadores, os que vêm somente o absurdo, pessoas sem flexibilidade para enxergar o óbvio, as mulheres são as donas do mundo moderno, a cada dia seus espaços estão sendo mais abertos e suas conquistas são mais valiosas.


A verdade é tanta que as mulheres que outrora não sabiam ler e escrever hoje são poetas de alta qualidade, doutoras, advogadas, elas que não davam opiniões nas questões do lar, hoje são chefes de estados. O que mais querem que elas provem?


Voltando a comunidade do Orkut, o que vem a ser uma mulher bonita? E mulher feia? Mais uma vez há um preconceito com as mulheres, mas como saber se a mulher é feia ou bonita? Uma vez que aquela que não encanta seus olhos poderá facilmente encantar os olhos de outra pessoa. Para uns, o sinônimo de beleza está na aparência, mas isso está completamente errado, pois, não existe mulher feia o que há de fato são pessoas preconceituosas que vêm defeito em tudo, mentes deturpadas por uma sociedade injusta. Na realidade existem pessoas (homens e mulheres) descuidadas, pessoas maltratadas pelo tempo ou por excesso de trabalho. Mulheres feias aos olhos de quem as vêm, pode ser, mas infinitamente belas em sua grandiosidade de “sexo frágil” - que para mim é mais um mito a ser quebrado – elas vêm encantando e convencendo com seu potencial, a mulher é sinônimo de guerreira, de perseverança, de conquista e tantos outros adjetivos possíveis.


A ciência descobriu muitas formas de se manter a aparência, academias, maquiagens, roupas, enfim, um amontoado de artefatos capazes de promover a aparência não só das mulheres, mas também, de homens para que os tornem mais apresentáveis, e aí? Elas que antes eram feias agora são bonitas, por outro lado, encontramos “nerds” promovendo preconceito em comunidades “babacas” para depreciar as mulheres classificando-as como feias e bonitas: para tais, peço-lhe que busquem aprimorar seus conhecimentos, abram suas mentes e transformem suas comunidades em algo mais proveitosos, dignos de colaboradores.


Por isso precisamos combater este “mal” que paira ainda sobre nossos horizontes, precisamos retaliar pensamentos infames de comunidades vis, urge conscientizar nossos jovens para práticas de comportamentos mais harmoniosos, promover a fraternidade para que este “vício” que foi a escravidão e este preconceito, instigado por comunidade de Orkut, seja de uma vez por toda exterminada do nosso dia-a-dia, devemos valorizar a pessoa humana, respeitar mulheres e homens, só assim, poderemos evoluir como seres humanos.



segunda-feira, 15 de março de 2010

Análise Psicológica de Dona Baratinha


Por Wagner Vieira Cruz

O texto é marcado por vários fenômenos de cunho sócio-econômico, apesar de ter sido escrito em uma estrutura da Literatura Infantil, várias passagens são consideradas de projeção intelectual mais avançada, ele mostra vários vícios da sociedade como um todo. Este é um conto popular e, portanto, não se sabe ao certo sua verdadeira origem, existindo versões das mais variadas possíveis, uma vez que os contos chegaram ao Brasil somente no século XIX, sendo que o conto em tela, há quem diga pertencer ao compositor João de Braga – Braguinha (1907-2006), publicado em 1973.


O texto pode ser considerado infantil pela sua elaboração, fácil leitura e compreensão, a ausência de gírias e as palavras são formuladas de forma que a criança possa compreendê-lo, como exemplo, a entrevista ter sido formada apenas por uma única pergunta: “Quem quer se casar com Dona Baratinha que tem dinheiro na caixinha?” Se contextualizada aos demais contos, seria uma forma de pronunciar palavras mágicas como: “Jazan!” ou “pelos poderes de Grayskull!” do desenho He-man, entretanto, pelo ponto de vista freudiano, o conto tem um cunho psicológico riquíssimo e que o mesmo poderia ser observado de muitas vertentes, uma delas, é o fato da Dona Baratinha ser uma pessoa de cor (racismo na sociedade em que vivia) ou uma viúva ou mesmo uma senhora de idade avançada e que não conseguiu um pretendente.


Se analisarmos com maiores detalhes, percebemos que tal fato está atrelado ao meio social, que a história se desenvolve em uma época em que a mulher era para o casamento e que uma donzela que não tivesse um marido era tratada com desprezo perante a sociedade machista.


Em especial, a Dona Baratinha era uma pobre senhora que devido a sua baixa posição social não dispusera de nenhum pretendente, por isso aquela moeda que encontrara reavivou uma idéia esquecida por certo tempo, pois assim, aquele dinheiro servir-lhe-ia de trunfo para convencer os seus pretendentes a casar-se com ela.


O texto também possui símbolos camuflados, como a própria baratinha, representa a feminilidade, a fragilidade da mulher; a moeda representa o dote que a noiva paga ao seu pretendente, assim como o odor da barata seria a sedução da mulher, as respostas dos animais seriam uma forma de canto para o sexo e, como cada animal tem seu jeito peculiar de atrair a sua fêmea, a baratinha não ficou atraída por nenhum deles, o próprio estereotipo deles não eram atrativamente aceito por ela. Um fato que se leva em consideração é a mente da barata, ela nos possibilita dizer que é uma mulher sonhadora, delicada e de certa forma dengosa, fala sempre no diminutivo, em contra partida, ela se destaca pela sua esperteza, representada no conto pelas respostas rápidas a cada um dos pretendentes.


Por sua vez, ela tem características egocêntricas ao idealizar seu noivo, podendo se assemelhar com algum tipo de interesse, uma vez que ela exterioriza seu modelo de “homem”. Primeiro deseja um partido rico, talvez pela vidinha desregrada que possui, em seguida desiste sempre que seu inconsciente lhe mostra uma oposição ou medo como se fosse uma censura. Na passagem do texto fica bastante claro, ela primeiro quer um marido rico, depois bonito e encerra em bom, mas o que seria “bom”? Será que o seu “bom” não poderia ser a junção de todos os atributos antes questionados, ou seria “bom” como homem (cama) ou “bom” de coração?


Na busca pelo par perfeito, ela elabora um “concurso”. Sai à janela e entrevista todos os animais do sexo masculino que possa ouvi-la e quando não está sendo ouvida, grita mais forte, todavia, encontra defeito em todos. Mas, não encontra no ratinho, somente porque ele se enquadra no perfil de “macho” que ela idealiza desde inicio do conto, e a sutileza do pequeno animal, manifesta nela uma magia que facilmente a envolve. Uma coisa ela não percebeu, o ratinho era bastante ambicioso e tinha um vício desenfreado por comida, podemos até compará-lo a jovens que embora sua aparência venha encantar as mulheres, seus vícios venham torná-los incapazes de amá-las.


Um fato bastante curioso é que na narração todos os demais pretendentes tinham vozes de homens de idade enquanto que o ratinho era de um menino, mostrando que o estereotipo idealizado pela barata era o de homens mais jovens.


No texto mostra outro ponto que devemos considerar para traçar um perfil psicológico de Dona Baratinha, ela tem mais iniciativa de decisão que o ratinho, desde a hora das perguntas até a data do casamento foi dela a última palavra, enquanto que seu parceiro, mais jovem, não se importava com isso, talvez seu interesse fosse outro, poderia entender que a baratinha fosse uma mulher rica, pois, ela estava procurando um marido e dizendo que tinha dinheiro na caixinha, talvez ele pudesse tirar vantagem daquilo tudo, e assim ela poderia sustentar seu vício da gula por toda a vida. Podemos encontrar embasamento nesta afirmação pela maneira que ele a tratou, esquecendo ou supondo esquecer as luvas na casa da noiva e esperou todos saírem para ir buscá-las. Será que isso não foi premeditado? Será que o interesse do ratinho era outro? Antes de morrer ele ainda diz “E vou morrer! Mas morro comendo toucinho... Adeus baratinha dos meus sonhos!!!”.


Como todo conto deixa uma lição, este texto nos mostra várias lições que vai da luxuria da dona baratinha e sua repentina mudança em considerar-se rica apenas por ter encontrado uma moeda de ouro e assim “comprar” um marido, e se estende ao vício do ratinho em não resistir à comida chegando a ponto de trocar sua vida por um pouco de prazer. Segundo Freud, “o princípio do prazer é o desejo de gratificação imediata, tal desejo conduz o indivíduo a buscar o prazer e evitar a dor” no caso do ratinho, o seu prazer foi comer o toucinho, mesmo isso lhe causando a morte.


A narrativa termina com o eu poético, dividido em onisciente e onipresente, indagar que a Dona Baratinha depois de chorar e esquecer todo esse triste momento irá bater as assas e sair novamente à procura de outro marido, nos mostrando mais uma vez o que Freud defende, que o prazer é mais importante que o objeto do prazer, assim o prazer da baratinha não estava no ratinho e sim em um marido e o prazer do ratinho estava no toucinho e não na baratinha.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_de_prazer


http://www.coladaweb.com/literatura/contos-e-mini-contos


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Coração de quem ama

A finalidade maior deste Blog, além de edição dos meus trabalhos, é divulgar uma forma nova de interação pelo poder da palavra. É este o meu pensamento desde o começo.
Hoje eu publico um trabalho de uma amigo de faculdade, espero que vocês gostem desta bela manifestação de amor e carinho:

O CORAÇÃO DE QUEM AMA

O coração de quem ama,
É noite sem brisa fria,
É lua sem claridade,
É cofre grande e seguro,
Pra guardar qualquer quantia.

É cofre de fantasia,
É casa de desventura,
É brasa de fogo quente,
O amargo gosto do fel,
É túmulo de amargura.

É a bússula que procura,
Desvios pra não ver dor,
Espaço belo e seguro,
É polém que tem na flor,
É o barco que nos guia,
No oceano do amor.

É quadro sobrando cor,
É carro sem direção,
É um bebado no volante,
Andando na contra mão,
Sem freios nas quatro rodas,

No veículo da paixão.
É contra a traição,
É um cálculo desmedido,
Que quando traem agente,
O nosso fica ferido,
Que o coração de quem ama,
Nunca trai sem ser traído.

E quando ele é traído,
Em outros as vezes se ampara,
O espelho alheio reflete,
A decepção tão rara,
E deixa grandes feridas,
Que só o tempo é quem sara.

Um grito que nos ampara,
Da tristeza mansa e calma,
O popular "chifre" chega,
E todo mundo tem trauma,
Que nos enfeita a cabeça,
E fere dentro da alma.

É brisa serena e calma,
É voto sem ter aprovo,
Forte como diamante,
E fraco igualmente um ovo,
Quando termina um sofre,
Começa tudo de novo.

Reclam igualmente um povo,
Em prol dum objetivo,

É filme sem gravação,
É espetáculo ao vivo,
E quem briga por amor,
Reclama tendo motivo.

Em prol dum objetivo,
É metrópole e é favela,
É paz e tranquilidade,
É órgão que se flagela,
Que um ex-amor não mata,
Mas deixa grande sequela.

É moldura duma tela,
É data sem cronograma,
É um menino birrento,
Que a toda coisa reclama,
É uma simples moldura,
Do coração de quem ama.

É ácido contendo a chama,
Que corrói sem causar dor,
É a coisa melhor da vida,
É paz no interior,
Duvido alguém ser feliz,
Sem nunca ter um amor.


Rui Vicente e Muniz.
IV Semestre - Letras - Noite

sábado, 31 de outubro de 2009

O Homem e a Preservação Ambiental



Wagner Vieira Cruz



Uma das questões mais discutidas no momento, tanto nas escolas quanto na vida social, é a proteção e preservação do meio ambiente, para tanto, não basta simplesmente questionar em congressos e feiras de ciências, mas, arregaçar as mangas e ir à luta por um mundo melhor para se viver.
Hoje a política enfoca este tema com maior presteza, pois, o planeta sofreu por muito tempo em silêncio e o ápice de profundo abandono humano está sendo revelado em tantos fenômenos nunca visto em localidades, que presumiam os cientistas, privilegiadas pela natureza. Tais fatores já não ilustram somente os filmes hollywoodianos de ficção científica, tornando-se a mais pura e dura realidade em todos os quadrantes mundiais, fenômenos como deserto no Brasil, Tsunames em curtos intervalos, tornados na América do Sul (Brasil), enchentes em épocas secas e secas em épocas chuvosas, gigantescos incêndios dentre outros, revelam uma desestabilidade ambiental que não poderia ser imaginado pelas pessoas das gerações anteriores (à nossa).
Exemplo disso, o impacto no meio ambiente, noticiado pela impressa da época, se resguardava às chuvas ácidas e invernos irregulares, no entanto, atualmente tais fenômenos sofreram grandes mudanças, acelerando ainda mais o processo de destruição das reservas naturais, tornando este, um planeta que sobrevive com grandes riscos de morte, como um paciente frustrado com poucas perspectivas de futuro, uma vez que, desde o Pólo Norte, sofrido com um buraco na camada de ozônio, em função da quantidade de gases pesados como monóxido de carbono e outros, até o Pólo Sul, com o derretimento desenfreado nas grandes geleiras, proveniente do aumento de temperatura causada pelo efeito estufa, fatos tão nus, infelizmente mostram o poder predatório de uma sociedade capitalista que suga as riquezas naturais como uma praga inexorável, como bem revela o cantor Roberto Carlos na canção “O Progresso” (1976), um apelo às autoridades sobre a depredação sem controle. Ele foi bastante feliz em dizer que “(...) esse tal de ouro negro não passa de um negro veneno, e sabemos que por tudo isso vivemos bem menos (...)”, uma vez que as grandes potências do mundo como os Estados Unidos e países asiáticos praticamente chacinam povoados, cidades e países, em busca de um “bem” que não sabem eles ser de altíssimo mal à sobrevivência da espécie humana.
Para completar essa ambição, o Brasil em parceria com grandes empresas multinacionais, representadas pela Petrobras, protagoniza, recentemente, um teatro de muito mau gosto, encenado pelo Governo do PT, à façanha de extrair petróleo do pré-sal. Uma reserva de petróleo sob uma densa camada de sal existente a pelo menos “1.000 a 2.000 metros de lâmina d'água e entre quatro e seis mil metros de profundidade no subsolo, chegando, portanto, a até 8.000m da superfície do mar, incluindo uma camada que varia de 200 a 2.000m de sal” (Wikipédia), mas, alguém já imaginou o tamanho do impacto ambiental que esta “brincadeira” custará ao planeta? A revista Exame sim. Este investimento iniciado em 2005, e que está avaliado em 1 bilhão de dólares, economicamente rentável, mas, ambientalmente um enorme prejuízo, elevará o país à categoria de grandes produtores de petróleo, elevando com o título a emissão de carbono, ou seja, enquanto os países participantes do Pacto de Varsóvia e outros pactos para despoluir, o Brasil entra para o rol dos países poluidores, uma contra-mão gerada simplesmente pela ganância e enriquecimento às custas de milhares de vidas, mesmo estas sendo de animais irracionais, mas, de almas e bondade não merecedoras de serem ceifadas por fins que não são tidos como justo do ponto de vista ecológico. Em uma análise mais profunda, esta extração até o momento não trouxe vantagens para os consumidores, o preço do litro de combustível, nos postos, ainda continua sendo um dos mais altos do mundo, acima inclusive dos países menos ricos e não auto-suficientes em petróleo.
Dentre outros desastres ambientais causados pela mão humana como o desmatamento e poluição dos rios, a não reciclagem dos lixos e a falta de saneamentos nas cidades e até mesmo uma política de inclusão social, atingem diretamente o meio ambiente. Neste foco, abordamos apenas fatos fortuitos merecedores de constante vigilância para que a amnésia e a miopia dos que ditam e executam as leis do país, não perpassem as barreiras obscuras de suas próprias mentes e invadam a inocência e a pureza da mãe-natureza.
Apesar de o planeta ser constituído de apenas um terço de terra, as saídas existem, poderíamos usar inteligentemente à extração de energias renováveis, sem poluição e sem degradação do meio ambiente, a ciência seria investida como fonte de sabedoria e de técnicas capazes de atender a necessidade da população com produtos não poluentes, pois se os homens tiveram a sabedoria para criar energia que polui, pressupõe que o mesmo homem seja capaz de criar energia que não polui, exemplo disto, são as recém descobertas para o aprimoramento do bio-combustível, energia solar e eólica, novas técnicas de reciclagens e o reflorestamento.
Necessitamos agora de uma ação global, todos em uma grande e inigualável corrente pela paz entre humanos e natureza. Nesta guerra desigual, o homem está sendo derrotado por si próprio, o planeta irá permanecer por milhares de bilhões de anos e mesmo com a depredação do meio ambiente ele se recuperará, renascerá das cinzas. Para o planeta, um milhão de anos é um tempo curtíssimo, ele simplesmente irá “assistir” a extinção de tudo, pois, a extinção de uma espécie nem sequer será notada pela imensidão do universo. E para nós? E para os que virão depois de nós? Isso tudo terá um preço. O homem precisa preservar para poder sobreviver, permanecer habitando e usufruindo os recursos naturais.
Em épocas remotas, os estudos comprovaram que os dinossauros foram extintos em virtude da queda de um meteoro, e hoje este meteoro está preste a cair novamente, só que desta vez, camuflado de ganância e cede de poder, um meteoro mais danoso, porque extermina aos poucos, exterminam com a maldade da tortura, um meteoro que não destrói implacavelmente, mas com uma crueldade dos bárbaros, saqueando aos poucos, mutilando florestas, envenenado rios, sufocando os ares, um meteoro capaz de banir todos e tudo, um meteoro chamado: HUMANIDADE.
Bibliografia:
CARLOS, Roberto. O Progresso, 1976
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%A9-sal
http://portalexame.abril.com.br/economia/pre-sal-pode-ter-impacto-
ambiental-negativo-500999.html
http://www.noticiasautomotivas.com.br/veja-os-precos-de-gasolina-ao-redor-do-mundo/
http://www.alunosonline.com.br/geografia/extincao-dinossauros/

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Apólogo: Vida de relógio

Eram seis horas da manhã, o sol já estava alto, na sala, tudo calmo, o vento soprava lentamente e acordando todos, primeiro foi a cortina que o impedia de entrar, ele disse:

- Acorde Senhora Cortina, já está cedo e o dia já raiou!

- Estou com bastante preguiça e quero ficar mais um pouco. Respondeu a cortina.

O vento entrou e da mesma forma foi acordando todos que podia tocá-los; o sofá, a mesa, as cadeiras... Ao entrar noutro cômodo encontrou o Relógio bastante aborrecido, e perguntou:

- O que o Senhor tem? Sempre que venho vejo-te da mesma forma, com a mesma cara, Por que vives com tanto mau humor?

- Estou cansado de trabalhar sem parar, não posso atrasar nenhum minuto que vem alguém me abrindo todo e mexendo nos meus ponteiros, não suporto mais esse tic-tac infernal e este pássaro imbecil fazendo “cuco” toda hora, me lembrando que tenho que começar a contar estes miseráveis segundos e minutos até a hora de ouvir este seu canto horrível.

O Vento respondeu:

- Calma Senhor Relógio, tudo tem o seu valor! O relógio logo replicou:

- Você diz isso porque tu andas por toda parte, eu não, fico aqui, não saiu daqui. Essa vida é um tédio! Duvido que tu queiras contar o tempo dia e noite sem parar. Gostaria de ser igual a você, ou como as cortinas que sempre são trocadas, lavadas e vão ao jardim olhar para as flores e secar-se ao sol.

O vento ficou a observar àquelas palavras, sabia que sua vida era bastante agitada, mesmo assim respondeu:

- Olha! Compreendo a tua angústia, mas, saiba que todos nós temos o nosso ofício, se não fosse o teu sacrifício não saberíamos quando começar ou quando terminar um trabalho e, saiba de uma coisa, por todos os cantos que já fui, todos precisam do tempo para guiarem suas responsabilidades.

Ao escutar estas palavras o relógio abriu um grande sorriso e acreditando que o vento estava certo, pode perceber que todos são importantes e concluiu:

- Tu tens razão, ó sábio Vento! Segues teu caminho pois preciso continuar contando e contando e contando...

Wagner Vieira Cruz

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ensino no Brasil

Hoje tive uma grande decepção, vi um panfleto de um concurso de provimento de cargos de uma determinada prefeitura a qual havia várias vagas para diversos cargos. O que me aborreceu consideravelmente foi o fato de que um Agente de Serviços Gerais, não desmerecendo a profissão, a qual se exigia apenas o ensino fundamental incompleto, estivesse em igualdade de remuneração com o cargo de Professor da Educação Básica, cuja exigência mínima é o nível superior completo.
Será que o professor nunca será valorizado neste País?
Como novos acadêmicos encontrarão incentivos para continuar a educação no Brasil?
Sabendo que um país só terá um futuro grandioso com uma educação forte, ser forçado a aceitar uma derrota desta, me deixa com um pouco de remoço, mas, também, me deixa com um pouco de culpa; culpa sim, pois é com um simples ato de votar que eu disse que aceitava esta vergonha que se encontra o ensino. As pessoas que escolhemos para fazer leis e dirigir tão mal a nossa Cidade, o nosso Estado e o nosso País estão aí fazendo e desfazendo enquanto que nós, a população, apenas sofre com falta de educação, saúde e sem perspectivas de uma vida melhor.
Sei que precisamos de todos os profissionais, mas, vejo também que não há interesse dos governantes de prover educação e saúde para nosso povo, vejo que direitos constitucionais são desrespeitados todos os dias pelas mesmas pessoas que as criaram e, se dizem políticos honestos, pergunto a eles: com qual respeitos querem ser tratados? Respondo-vos: com os mesmos respeitos que tendes dado, ou seja, nenhum.
Como é lastimável me valer destas palavras para revelar a minha indignação à uma política predatória de interesses particulares em detrimento ao público. Por que na Constituição diz que o direito coletivo tem prioridade sobre o particular e privado se nossos políticos não obedecem? Se nossos Juízes não punem? E se nós não cobramos?
Por que temos tão bons professores e tão pouco incentivo do Governo? Por que não se dedicar a uma política voltada para o povo? Perguntas que não quer calar e respostas que não se tem, esta é a realidade do Brasil.
O que podemos fazer? Nós podemos mudar tudo, fazer uma reforma parlamentar exigir correções nas leis e mais, votar em pessoas que se importem com o nosso país, assim como nos importamos, é assim que conseguiremos uma reforma justa e igualitária.
Que os Agentes de Serviços Gerais ganhem o que for justo e que o professor seja mais valorizado, para que não falte este profissional precursor de todos os outros empregos de melhores remunerações.
Vamos acordar!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Uma noite de almirante " analise por Wagner V Cruz



O que me chama atenção é o fato de interpretar determinados textos literários, e que este tipo de estudo nos faz aceitar a língua e o pensamento como a forma mais democrática de expressar o seu ponto de vista, baseado nesta filosofia e acreditando que vivemos em um país de grande expectativas futuras, tive uma visão diferenciada sobre o que aconteceu no conto de Machado de Assim "Uma noite de almirante" que assim analisei:



Análise do conto “Noite de almirante” de Machado de Assis





Wagner Vieira Cruz





Antes de analisarmos a história, devemos perceber que a sociedade é capaz de transformar a vida das pessoas que a cerca. Nesta sociedade, os valores sociais são mais importantes que os valores emotivos, é uma retórica na forma de vida com grandes desigualdades sociais.


Pois bem, os protagonistas têm uma congruência de conduta e que o narrador é onisciente sobre uma temática, e não é onipresente, conta a história do seu próprio ponto de vista, entretanto, não está em todos os locais, principalmente no espaço psicológico das personagens, portanto incapaz de tornar público todos os enlaces da história de forma geral. Neste caso, talvez não soubesse que Genoveva englobada em uma vida social difícil tivesse mentido em dizer que se apaixonara por Deolindo, encobrindo assim suas reais pretensões em ascensão social, reflexo dos relacionamentos por conveniência, pratica até hoje usada entre pessoas de diferentes classes sociais. Da mesma forma que o marinheiro se enganara em achar-se apaixonado pela donzela, talvez pela sua aparência “venta-grande” não despertar a atenção das mulheres, o que foi o contrário com Genoveva que se considerava apaixonada por ele.


O narrador por sua vez, não participa do conto como personagem, porém está sempre instigando o leitor a enxergar a mulher como vilã da história, não deixando espaço para uma análise mais apurada dos fatos, logo no início diz: “ele deixaria o serviço e ela o acompanharia para a vila mais recôndita do interior”, mostrando que a “paixão” no seu auge faz com que tomem decisões precipitadas ou que a pressa de uma mudança de vida tenham outras proporções, que ambos, com pretensões opostas quisessem resolver logo o seu problema, ele por não ser atrativamente desejado e ela por questões sociais, haja vista que morava em uma pobre casa que não a pertencia.


Quanto à promessa, também percebemos não existir, que foi forçada, vejamos o diálogo:


- Deolindo: Juro por Deus que está no Céu. E você?


- Genoveva: Também.


- Deolindo: Diz direito.


- Genoveva: Juro por Deus que está no Céu; a luz me falte na hora da morte.


Embora no texto não especifique quem começou o dialogo, acreditamos ter sido o Deolindo pelo valor que ele deu em enfatizar que havia um compromisso que foi quebrado por ela.


O que observamos foi uma insistência maior dele do que dela. Por quê? Talvez por ela não ter levado em consideração a promessa, conseqüência disso é que mais tarde Genoveva irá morar com outra pessoa.


O fingimento torna-se vital para os dois personagens, ela abandona a promessa por duvidar do amor do marinheiro e que seu relacionamento perdurasse e almejando uma qualidade de vida melhor, supostamente pelas dificuldades enfrentadas, resolve mudar-se para a casa do Mascate. Deolindo ao ser absorvido por uma paixão, quem sabe até única em sua vida e com fortes influências de seu primeiro amor, ao se defrontar com a desilusão, preferiu mentir para os seus companheiros e preservar assim a imagem de uma noite de almirante na companhia de sua amada.


O narrador, por sua vez, sempre instiga o leitor a observar os indícios de infidelidade de Genoveva, entretanto não relata as dificuldades da sua vida na ausência de Deolindo, não relata suas decepções, solidão e necessidades. Mesmo quando descreve as suas explicações pelo abandono mostra de forma que subentende a sua frieza e dissimulação, produzindo assim aos olhos do leitor, uma pessoa vulgar.


Ora, se ela não era casada não podia se apegar a uma promessa que ela própria não acreditava. Diante da dúvida de um relacionamento condenado ao fracasso, optara por viver com aquilo que a vida lhe proporcionara e a melhor opção no momento seria aceitar o pedido do Mascate e ir morar em sua casa, pelo menos aparentemente estava estabelecida. A fidelidade dele não foi posta em evidência, pois, em nenhum momento ele foi assediado, o narrador apenas informa que em suas viagens algumas mulheres podiam ser do seu agrado, porém, não mostra nenhum reciprocidade, talvez por ele não ser atraente, e se ele tivesse sido assediado? Será que teria recusado? O que não aconteceu com ele, aconteceu com ela.


Genoveva acreditando que ele não mais voltaria; a necessidade de mudar de vida; o efeito da solidão; a incerteza de um futuro foram motivos mais do que reais para que ela abandonasse a promessa e resolvesse dá uma chance para o Mascate e para ela mesma, pois, estaria saindo de uma vida miserável para uma melhor e ainda seria amada por um homem.


Acredito que o narrador foi o maior vilão por induzir o leitor a recriminar a conduta da mulher em detrimento dos preceitos do homem, sendo que em uma analise mais detalhada observamos que ambos fingiram suas reais pretensões e que a trama foi ritmada com um propósito de induzir o leitor ao ponto de vista que Genoveva fosse considerada leviana, principalmente no episódio do brinco que Deolindo após ouvir as explicações de Genoveva teria retirado do bolso um brinco a tivesse presenteado, acreditamos que essa atitude teve um caráter mais apelativo do que emotivo; uma forma de chantagem emocional para convencê-la do seu pecado, em uma atitude egoística de se apresentar como vítima em conseqüência do suposto adultério.


Por fim, tanto Genoveva quanto Deolindo foram infiéis. Acreditamos que um quis enganar o outro. A problemática ficou no valor que cada um deu a suas pretensões: ele, por carência afetiva; ela, por estabilidade. A infelicidade dela foi que sua máscara caiu primeiro e que o fato foi contado talvez por um homem de melhores condições socioeconômicas que as deles. Não tendo sensibilidade para analisar a vida de cada um, tomou partido pela figura masculina, condenando a outra parte pela quebra de um contrato verbal sem perspectiva de futuro.